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Liderança em cibersegurança

Confiança entre CEO e CISO

Hiago Kin Levi

CEO e CISO precisam de confiança suficiente para discordar diante de uma decisão difícil. A relação não cabe numa apresentação mensal de conformidade.

Retrato de Hiago Kin Levi sentado em um estúdio de podcast
Hiago Kin Levi

Eu avaliaria a confiança entre CEO e CISO pela capacidade de discordar quando uma decisão impõe perdas. O CISO precisa trazer evidências inconvenientes; o CEO precisa questionar recomendações.

Abrir espaço para o alerta

Eu convidaria o CISO a separar observações, inferências e lacunas antes de concluir o diagnóstico. Esperar certeza pode eliminar alternativas úteis. Perguntaria o que exige atenção, quais medidas preservam escolhas e quando chegam novas evidências. Comunicar uma fragilidade é diferente de causá-la. A franqueza exige descrições cuidadosas e correções quando os indícios mudam.

Dar método à divergência

Eu organizaria a recomendação pela atividade de negócio, falha plausível, evidências e incertezas, alternativas e prazo de decisão. Para cada opção, examinaria os custos de agir e esperar. O CISO explicaria o que mudaria sua recomendação; eu esclareceria quais compromissos comerciais podem mudar.

As palavras precisam de limites observáveis. Se o incidente está contido, o que cessou e o que falta verificar? Se a exceção é temporária, quando expira? Uma cor não distingue dano possível, indícios de dano e pouca visibilidade.

Comparar caminhos viáveis

Imagine um lançamento em que o suporte de um parceiro acessa registros de clientes por uma rota sem a revisão prevista. Eu compararia adiar o serviço, lançar com esse acesso desativado e permitir acesso restrito sob controles verificados. Adiar traz custos comerciais; reduzir o lançamento pode transferir o suporte para a equipe interna; restringir o acesso deixa a exposição que os controles não cobrem.

Uma alternativa só entra na comparação se puder ser executada. O CISO deve recomendar um caminho e declarar condições mínimas. Se eu escolhesse outro, registraria a razão de negócio e preservaria a divergência, sem pedir uma avaliação reescrita que sugerisse consenso.

Definir quem decide e interrompe

Eu separaria avaliação, recomendação, autorização e execução. Aceitar exposição exige responsável, acompanhamento, validade e condição de interrupção. Algumas obrigações pedem interpretação jurídica ou de conformidade além da autoridade do CEO. Assinar uma exceção não encerra a responsabilidade.

O acionamento da liderança também precisa de critérios, destinatário, substituto e autoridade enquanto se tenta contato. A suspensão deve ter escopo e revisão definidos. Preocupações fora das categorias previstas precisam de um caminho, sem transformar toda dificuldade operacional em interrupção executiva.

Reparar com comportamento

Após um aviso perdido ou uma condição ignorada, eu examinaria o que era possível saber e qual acordo falhou. Um resultado favorável não valida raciocínio frágil. Se minha reação puniu a franqueza, renovar o convite para falar seria insuficiente. A confiança depende da conduta: verdades inconvenientes chegam enquanto existem alternativas e os dois saem com uma decisão clara, pela qual alguém responde.

Hiago Kin Levi